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Dois empresários e uma advogada são presos suspeitos de integrarem organização criminosa que vendia terrenos clandestinos no PR

Três pessoas são presas em operação do Gaeco que investiga fraude em vendas de lotes Dois empresários e uma advogada foram presos preventivamente por serem...

Dois empresários e uma advogada são presos suspeitos de integrarem organização criminosa que vendia terrenos clandestinos no PR
Dois empresários e uma advogada são presos suspeitos de integrarem organização criminosa que vendia terrenos clandestinos no PR (Foto: Reprodução)

Três pessoas são presas em operação do Gaeco que investiga fraude em vendas de lotes Dois empresários e uma advogada foram presos preventivamente por serem suspeitos de implantar e vender terrenos de dois loteamentos clandestinos na área rural de Ibiporã, no Norte do Paraná. Conforme as investigações do Ministério Público do Paraná (MP-PR), o trio arrecadou pelo menos R$ 3,5 milhões de 62 vítimas que adquiriram os lotes irregulares. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados até a última atualização desta reportagem. Segundo o MP, eles não tinham qualquer autorização para subdividir e vender o terreno. As prisões ocorreram nesta terça-feira (2) durante a segunda fase da operação Miragem, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, em conjunto com a 1ª Promotoria de Justiça de Ibiporã. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos alvos e bens deles foram bloqueados para ressarcir as vítimas. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp Conforme o promotor Jorge Barreto, o trio também é suspeito de ameaçar e intimidar autoridades que fiscalizavam os locais, bem como o promotor de justiça e familiares dele. Ouça áudio abaixo. Investigados por vender terrenos clandestinos no PR chegaram a ameaçar autoridades Segundo Barreto, as investigações apontaram que um dos empresários liderava a implantação e a comercialização do loteamento clandestino chamado Recanto Água Bonita. O empreendimento ilegal abrangia uma área total de 68.100 m², subdividida ilegalmente em 62 lotes de aproximadamente 1.000 m² cada. Eles eram comercializados sem qualquer licença ambiental ou alvará urbanístico. O promotor também informou que outro investigado foi responsável por liderar a implantação e a comercialização do loteamento clandestino Recanto dos Sonhos. Ele abrangia uma área de 36.300 m², subdividida ilegalmente em 23 lotes também comercializados irregularmente, sem licença ambiental ou alvará urbanístico. Conforme as investigações, as vítimas pagavam pelos imóveis, assinavam contratos e recebiam documentos de compra, mas não havia validade legal na transação. Segundo Barreto, essas garantias eram falsas, ou seja, os compradores pagavam por terrenos que não iam poder usar. "Os imóveis não obedeciam à legislação municipal, nem à legislação ambiental. Não tinham autorização dos órgãos competentes para a subdivisão e para comercialização desses imóveis. Eles anunciavam como se fosse um produto final, pronto para venda. [...] A vítima, ao adquirir esse imóvel, assinava um simples contrato de compra e venda", explicou o promotor. De acordo com Barreto, os três são investigados pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, fraude processual e lavagem de dinheiro. Entenda mais abaixo. Dois empresários e advogada são presos por serem suspeitos de vender terrenos clandestinos no PR MP-PR Leia também: Sem quarto ou cama: idoso obrigado a trabalhar 24h por dia improvisou dormitório em cabine de caminhão Quase 200 reclamações: Justiça proíbe bar que fica próximo a hospital de realizar eventos com som alto Polícia investiga: homem se arrasta por faixa de pedestres e morre após ser atropelado Fraude processual Os investigados já tinham sido alvos na primeira fase da operação, realizada em janeiro de 2026. Na época, mandados de busca e apreensão foram cumpridos e aparelhos celulares deles foram levados para análise. No aparelho, foram encontrados áudios que revelaram que os empresários tentavam esconder e acabar com provas que poderiam ser usadas durante a investigação. "Coloca tudo no pen drive e limpa todos os contratos que existem. [...] Limpar aquele escritório e tirar tudo, tudo, tudo", disse um empresário em um dos áudios. Segundo o MP, os contratos físicos foram clandestinamente colocados em caixas guardadas em um sítio na zona rural, enquanto os arquivos digitais armazenados em nuvem foram excluídos. Além disso, o órgão afirma que os investigados tentaram induzir a Justiça a erro, protocolando uma manifestação falsa afirmando que os documentos haviam sido perdidos devido a uma suposta “corrosão e falha material do disco rígido” do computador da empresa. Ameaças e intimidações O trio também é investigado por ameaçar e intimidar os agentes públicos que atuam na apuração do caso. Em áudios extraídos dos celulares deles, a investigação apurou que um dos empresários prometeu "sumir" com o promotor de justiça do caso. "Eu sou uma pessoa de bem, de Deus [...] mas se o cara fizer um negócio desse, que prejudique eu e você desse tamanho, nossa senhora. Não penso duas vezes. Eu sumo com ele, literalmente", disse o empresário no áudio. O Gaeco descobriu que os investigados também seguiam fiscais, promotores e juízes na internet. O dono do loteamento Recanto Água Bonita chegou a encontrar o perfil da esposa de um membro do Ministério Público e pediu para segui-la em uma rede social. Na análise dos celulares, também foi descoberto que os investigados cogitavam sequestrar e matar fiscais municipais de Ibiporã. Também foi apurado que eles planejavam um atentado contra o fórum local, com disparos de arma de fogo contra o transformador de energia do edifício, com o objetivo de sabotar uma audiência pública sobre os loteamentos ilegais. Lavagem de dinheiro Além disso, em janeiro, os investigados tinham sido proibidos de receber quantias pelas vendas dos lotes, mas ainda assim continuaram cobrando e recebendo as parcelas das vítimas. Segundo o MP, como a principal conta por onde eles recebiam os valores havia sido bloqueada por uma ordem judicial, os empresários abriram uma empresa de fachada para receber o dinheiro das vítimas. A investigação apontou que eles usaram o nome da irmã do líder do grupo para atuar como “laranja”. "Os compradores eram induzidos em erro por meio de comunicados que alegavam uma falsa “instabilidade bancária” na conta principal e instruíam o direcionamento dos pagamentos via Pix para o CNPJ da empresa de fachada ou para a conta do escritório de advocacia da investigada. O rastreamento financeiro demonstrou que os valores eram rapidamente integrados ao patrimônio pessoal da própria advogada do grupo por meio de transferências eletrônicas sucessivas", informou o MP. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Norte e Noroeste.

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